sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Vós


E se a gente parasse pra pensar no que mais tem efeito, causa ou defeito
Na autonomia do suspeito
Que leva e trás
Sem nenhum recibo ou boleto
Há algo mais a relevar?
há algo mais?

de todo pensamento fugaz
Que some com um brilho aqui ou ali
A mais
E se tudo fosse simples pra caralho
Não tivéssemos que correr, 
só parar e ficar pra trás
Um a mais

O defeito renova o conceito
Quanto menos concreto, mais perfeito
E assim seja feito.

Talvez tenha algo que eu esqueci de falar
O tempo pra esquecer e muito
E o de lembrar dizem que é curto
E olhar pro corte costuma deixar ele mais fundo
E o mundo...o mundo para
Mas nunca para mudo.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Cena 17 - Ato 07

E ela dançava, daquele jeito suave, parecia um Ballet francês, mas com movimentos muito firmes, e cada giro, e cada movimento dizia um pouco dela, de suas mágoas, do cigarro no fim do horário, daquele vento batendo da janela no suéter frio, que tentava diminuir o corte cáustico que causava a noite e aqueles pensamentos armados com 7 pedras pra te derrubar.
Ela não sabia mais onde cair, onde deixar tudo, mesmo sempre tendo onde deixar, mesmo sempre tendo um cais pra teu navio de caos e luxúria; queria ver algo alem do muro de plasticidade da sua vida, sem aquele sol de luz branca com aço envolta cegando-a.
Bravo! Magnifico! queime mais! é assim que na vida se faz!
mas olha... não tenho nada a ver com isso, só te dei a ideia... sabe? nada de mais, pode ficar com os créditos..
eu vou só assistir aqui do banco, olheiro.
Enquanto você pinta a vida com o teu vermelho.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Nau dos Insensatos

E chegamos aqui.
Navegamos por 438.290.639 horas, e chegamos nesse cais melancólico,
e herbert já disse da lanterna, e isso é similar, sei que ele perdeu algo mais, mas também estou perdendo algo mais por um bem tempo, nem sei quando iria voltar...nem sei se vai voltar.
Mas aquela dor no peito está sendo de mais, um panico que ficar guardado me remoendo e me remediando ao mesmo tempo, ninguém vive assim, ninguém. Me desculpe, mas não aguento mais remar sozinho, não dá, não dá, não dá. brincamos de acender cigarros e deixar as cinzas caírem na velha madeira, pra ver até onde o barco aguenta pegando fogo, até onde ele se mantem, mas já disse, cansei de remar, ou a gente apaga esse caos e reconstrói essa nau, ou empacotamos o que é nosso e "homens ao mar". dizemos que o cigarro queima de um lado, mas na verdade, ele queima quem o segura; ou pelo menos tenta, queimar problemas, pensamentos, ideias, "e se", "como seria", "pensando bem", ou não queima nada e estou em devaneios de maresia, ele pode é atiçar fogo em tudo mais, não nos deixando deixar nada pra trás.
E no final acho que só você vai pular, que você já tinha empacotado suas coisas antes, mas tudo bem, eu fico até o barco afundar, o capitão sempre afunda com o navio.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Gris

É o café gelado no pano xadrez vermelho e branco,
da mesa de canto da pra ver uma fresta da janela, batendo sol no azulejo de barro da cozinha,
um dia eu devia limpar eles, ou deixar quieto, pra ver o quanto eles duram.
vou deixar o copo na pia pra ver se lembro de lava-lo mais tarde também.
Eu tenho que pegar o trem, não posso me atrasar, e nunca tem lugar, eu vou ficar olhando pra cidade segurando nas barras de lá, e o sol vai bater na minha cara, já está batendo, já estou no trem.
eu não quero olhar pros lados, não quer ver se tem alguém que eu conheço aqui, e eu sei que não tem, é muito cedo pra isso, vou continuar olhando reto, tem luz, e fica tudo escuro, e eu demoro pra piscar.
40 minutos, exatos, ou não, deve ter uns milésimos quebrados, um dia reparo nisso, é descer e virar na rua com os muros pichados, "E tem algo mais", e tem sombra, e tem mato, e tem 4 lados, mas não tem muito como ver o que tem dentro.
Queria saber desenhar, ai o tempo passaria mais rápido aqui, mas vou me virar, 19 horas eu vou embora, e é o trem que eu gosto, não que eu gosto exatamente, mas é o que eu me adapto mais, entende? e ele ta passando agora, e não tem lugar, mas tudo bem, o sol não bate na minha cara, na verdade, acho que já me calejei dele.
A luz fosforescente bate no vidro e mostra eu mesmo, pálido, olheiras, amargo, e o azulejo ta sujo, e o copo na pia, e eu da cor da pia, da armação da janela, da cor da fresta entre os azulejos, das barras do trem, da cor real dos muros pichados, do ponteiro do relógio, da minha blusa, e de qualquer coisa dentro de mim, e de qualquer coisa que eu penso, pois eu penso de mais.
Cinza.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Limitrófe

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA outro dia.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Caju

Não sei escrever, nunca soube.
Não sou de simbolismo pra tudo que eu falo, metáforas eu amo, mas só.
As vezes, eu só preciso jogar tudo em linhas, sabe?
Só pra acalmar os demônios.
Eu amo de um jeito engraçado, sério.
Eu me irrito, ai meu cérebro já joga logo motivos pra eu não me irritar, porque, convenhamos, quem gosta de se irritar?
Mas isso é comigo, não sei com os outros.
Eu nunca faço nada por mal, não mesmo.
Eu só pergunto de mais.
Eu duvido de mais.
Eu penso de mais.
resumindo,
eu me fodo de mais.
Acabo perturbando as pessoas ao meu redor, mas o pior de tudo,
Eu perturbo a minha cabeça.
Me preocupo de mais por porra nenhuma.
Vai ver me importo de mais com as coisas.
Mas é foda, eu sempre fui assim.
Quando eu amo, eu amo mesmo, e muito.
Não é que nem esse merda que ama até outro rabo de saia aparecer,
eu amo até a ultima gota do ser,
eu amo o que sair da tua boca,
eu amo a sua respiração,
eu amo teu casaco,
eu amo teu cabelo,
eu amo você inteira.
E não é difícil, nem um pouco, devem achar que é foda amar alguém,
mas não é.
o foda é tudo que vem depois que você sabe que ta amando,
mas... sei lá,
tem seus altos e baixos,
mas no final, fica tudo bem.
Assim eu espero, né.