segunda-feira, 22 de julho de 2013

A Árvore, O Poste, A Montanha e o Asfalto.

Que fique claro aqui
amor sempre traz uma dor
uma angustia disfarçada de saudade
que não some com a idade
... 
nem com a bebida
nem com espasmos de um orgasmo qualquer
some com o tempo? Não sei mais
a dor não tem calendário
não segue nossa noção de tempo
porque ela não é "nós”
ela só reside em nós

Então, como expulsar ela de tamanha importante residência?
na verdade, não há como
a dor nada mais é que a criança birrenta que nós mesmos criamos

ela tem seu próprio quarto, 
toma café junto com você, 
vê os mesmos filmes e beija as mesmas bocas (mesmo sendo meio juvenil pra isso, mas afinal, quem não quem não é?).

e o que se faz com uma criança birrenta? Você não da atenção, mesmo sendo meio cruel, pelo menos ate ela se acalmar.

Você explode às vezes, mas tem que retomar a calma, se afastar do que pode estar piorando teu julgamento sobre ela, e cuidado, afinal, quem é você pra julgar?

e quando ela estiver calma, só com aquela cara de emburrada, dando alfinetadas que nem um namorado ou namorada ressentido, você vê que ela amadureceu a ponto de você ensinar a ela a só se importar com o que realmente importa (pecando do clichê).

e ai, só assim, você vai amenizar ela, e não destruir ela e todo o trabalho pra deixar ela madura.
Porque não existe felicidade absoluta, mas acredite, também não existe tristeza do mesmo nível, existem picos de cada,

e tudo depende de qual você esta tentando escalar.


terça-feira, 25 de junho de 2013

R.E.M.

Eu vi vários cervos
ou seriam servos?
cantando a mesma canção sem melodia
abrindo portas cravadas em argila
de monumentos ocos de fundação

Quinze campos enumerados de 7 a 23
causando caos na ordem natural de mim e de vocês
questionando o abismal concreto
que é defendido com fervor religioso

Queima? queima sim, como qualquer palha seca
almejando um dia virar mais que dejetos e cerveja
culminando num desespero próprio e alarmante
que toma conta de vários corpos sem que você veja

Plastico cromado, folheado e repintado
mas é o velho plastico que o cachorro mordeu
deformado de um jeito absurdo, curvas onde não devia ter
mas quem quer ajeitar? o cômodo tá bonito, a gente sabe quem decorou

Calma lá, exaltados são os heróis práticos e as musas vagas
temos um amor enorme ao ódio minimo, ao paisagismo social
e gostamos de gostar de gostos foscos e insípidos
amarelos que nem urina, mas que linda né?

Compra mais da sua soda caustica
pra desentupir a ideia de que jovens são eternos
porque não sei cê tu sabe, você vai morrer um dia
e não precisamos abrir valas precoces
nenhum comandante te mandou atirar balas em mentes e ter a mente baleada
queria ver o sol

Mascaras planas com um ponto de foco
aquele que você limpa com cuspe e a bera da camiseta
porque não quer outras coisas chamando atenção
então de quebra e bom grado, a camiseta fica feia
o ponto é o ápice do foco, então vamos providencia um pedestal
e coloca-lo em cima de um divã
em cima de um cadáver.

Choveu.

domingo, 9 de junho de 2013

Desfibrilador, Me Liga.

obscuro e tardio, causa o ápice da sensação sinestésica entre mente e pele.
Parece queimar de um jeito carinhoso, causando desconforto, mas sem que você precise coçar,
tentar parecer distraído, procurar pontos de foco e atenção, mexer um musculo o tempo todo
pra não desesperar,
prestar atenção na respiração, olhar e limpar as unhas, botar musica alta pra ouvir alguém falando
ou ouvir o som dos instrumentos até descobrir uma nota diferente

sentar no chão, com roupa ou nu, porque nunca viu aquele comodo daquele angulo
conversar, rir, sorrir, gritar, interagir, contemplar, indagar, tudo pra deixar morrendo de fome
aquela monstruosidade dentro de você
pressupondo que você esteja assim,

"óbito emocional" é o nome que você quer achar.

sábado, 18 de maio de 2013

Dia 7


Queria um dia ser rei
mais poderoso que Julio César
mais influente que Alexandre
mais bacana que o Charles
Do topo da mente aos fincados no chão
Mas naqueles lapsos e segundos,
eu possa esconder uma emoção.
subordinados e plebeus serão os sentimentos, e o ministério seria a ação.
Seguindo o mesmo padrão com si mesmo


mas podendo controlar um Império diferente                     
Não quero controlar o sol pra bater só em mim

meu súdito, seria a razão.   
Quantos reinados já caíram tendo tal estrutura?
e querendo ser um ditador do livre arbítrio
por um fio de sanidade nos seguramos pra não esquecer o (talvez) caminho e se perder na loucura.
Quem dera ser um rei ao invés do pobre tolo, como tantos outros, que lutam por uma inalcançável fartura.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Exílio


eu quero exílio
não quero dor, nem um apito na minha cabeça
quero que flores não venham com tantos espinhos
que elas mostrem antes isso
porque 4 a 4?

não da pra ser simples, não
tem que ser tudo complicado de mais pra "não perder a graça"?
escrever textos pra amenizar o que a gente chama de dor
querer ter um terceiro olho que só veja o futuro
e que os dois únicos que eu tenho
se ceguem do passado

o presente e o tempo com sua tosca noção de "passagem"
de antes, de depois, de após
cortar um caminho sem cortar alguém, tai algo difícil
sombra e água fresca é o que eu tenho, só.
só sombra, e água fresca, só.

só.

o exílio é minha nova e velha
meu presente
meu desejo e minha benção,
minha maldição e meu dom mental.
o exílio vai ser minha eterna musa e profunda angústia.

sábado, 26 de janeiro de 2013

(Quase) Viver as Avessas

é o voo que passa mais baixo
é o degrau um pouco mais alto
quem sabe se fosse mais raso
quem sabe se sabe, se sei ou se acho.

é a curva mais fechada
é a porta aberta de faixada
é a sacola que não ta rasgada
é a ideia mal pensada

há o que querer,
há o que se dizer
2 olhos lacrados
lavrados de você

é a luz fosforescente
na porta branca do poente
é o ultimo suspiro fraco
antes do outro consequente

e vem quieto, vem baixo
sem tempo, sem hora marcada
sem voto, sem casa, sem ninho

assusta enquanto ofusca
e some devagarzinho

onde boto meu pé?
onde é firme
e onde o chão realmente é?

não faz diferença,
até fazer mesmo.